O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras”, utilizadas no tratamento de diabetes e cada vez mais procuradas para a perda de peso, tem provocado um amplo debate no Brasil. Apesar da eficácia comprovada desses medicamentos, o alto custo e as restrições de importação têm levantado questionamentos sobre acesso, mercado paralelo e interesses comerciais.
Medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, tornaram-se populares por auxiliar tanto no controle da diabetes quanto na redução significativa de peso. O efeito tem mudado a vida de muitos pacientes, principalmente aqueles que enfrentam obesidade ou dificuldade em controlar o diabetes.
No entanto, no Brasil, o preço elevado desses medicamentos tem afastado grande parte da população. A empresa detentora da patente enfrenta dificuldades para suprir a demanda no país e os valores praticados nas farmácias continuam sendo considerados altos para a maioria dos pacientes.
Diferença de preços no Paraguai
A situação é diferente no Paraguai. Como a patente de alguns desses medicamentos não foi registrada no país vizinho, diversos laboratórios passaram a produzir versões semelhantes com preços muito mais baixos.
Isso fez crescer a procura de brasileiros por esses produtos. Porém, o governo brasileiro restringiu a entrada desses medicamentos no país. Até o momento, apenas duas marcas paraguaias — Glucomex e Tizerdral — podem ser trazidas legalmente. Outras marcas não têm autorização para importação.
A medida, segundo críticos, acaba estimulando o mercado ilegal. Com dificuldade de acesso aos produtos vendidos nas farmácias brasileiras, muitos consumidores recorrem ao contrabando. Esse cenário preocupa especialistas, pois medicamentos transportados ilegalmente podem não seguir condições adequadas de armazenamento e transporte, o que pode comprometer a eficácia e até gerar riscos à saúde.
Debate entre acesso e interesses comerciais
A proibição também levanta discussões sobre o equilíbrio entre proteção de patentes e acesso da população a tratamentos eficazes. Para alguns especialistas, a defesa do interesse comercial de empresas farmacêuticas não deveria impedir que medicamentos disponíveis em outros países, e que passam por controles sanitários rigorosos, cheguem à população com preços mais acessíveis.
Por outro lado, autoridades de saúde argumentam que a restrição é necessária para garantir controle sanitário, segurança e rastreabilidade dos medicamentos consumidos no país.
Mudanças no mercado em 2026
Esse cenário pode mudar em breve. A patente da semaglutida no Brasil expira em 20 de março de 2026, o que deve abrir espaço para a produção de medicamentos genéricos. A expectativa do setor farmacêutico é que essa abertura de mercado possa reduzir os preços em até 35%, ampliando o acesso da população ao tratamento.
Além disso, propostas legislativas em tramitação também podem influenciar o futuro desses medicamentos. Na Câmara dos Deputados, o PL 68/261, em regime de urgência, propõe declarar de interesse público os medicamentos Mounjaro e Zepbound para o tratamento de obesidade e diabetes.
Já no Senado Federal, o PL 160/262 discute a possibilidade de licenciamento compulsório da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, o que permitiria que outras empresas produzissem o medicamento mesmo durante o período de patente.
Um debate que deve continuar
Enquanto o acesso amplo não se torna realidade, o debate permanece: de um lado, a necessidade de garantir segurança sanitária e respeitar patentes; do outro, a pressão social para tornar tratamentos modernos acessíveis a toda a população.
Especialistas apontam que, sem redução significativa de preços ou ampliação da oferta, a tendência é que o mercado paralelo continue crescendo — impulsionado pela demanda de pacientes que buscam qualidade de vida e tratamento para obesidade e diabetes.

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