A sessão extraordinária desta terça-feira (31/03) terminou no plenário, mas continuou — e com força — nos bastidores do governo.
O ponto de virada foi a fala do vereador Ricardinho da Saúde. Da tribuna, ele fez críticas duras à gestão da saúde após visitar uma unidade e encontrar filas. Foi direto: falta solução simples. Citou, inclusive, o uso de WhatsApp para marcação de consultas — algo básico que, segundo ele, evitaria o desgaste da população.
A fala não caiu bem.
Ainda na mesma noite, exonerações começaram a acontecer no Executivo. Nos corredores, a leitura é clara: não foi coincidência. Foi resposta.
Ricardinho, pode estar de saída da base governista.
E onde há saída, sempre há entrada.
Quem começa a ganhar espaço é Asenil Medeiros, que já se movimenta alinhado ao governo. E não chegou discreto. Apresentou o Projeto 57/2026, que prevê videomonitoramento com leitura automática de placas (OCR), integrado à central 153.
O discurso é de segurança e organização urbana. Mas o projeto levanta dúvidas — principalmente pelo impacto no bolso do contribuinte e pela contradição com a regra atual, que proíbe multas por esse tipo de sistema em viaturas desde 2025.
Nos bastidores, a leitura é de que o projeto não nasceu exatamente no gabinete do vereador, mas foi estrategicamente “endereçado” como gesto de boas-vindas à nova composição da base.
Resumo da ópera: sai Ricardinho, entra Asenil. E como dizem por aí, “o galo tá on”.
Outro movimento que chama atenção envolve o deputado Carlos Humberto. A aproximação do PL com o governo não agradou todo mundo. Os vereadores Victor Forte e Guilherme Cardoso demonstram insatisfação e podem buscar novos caminhos, com o Republicanos no radar.
Na Câmara, o clima também esquentou.
Naifer Neri questionou a atuação da BC Investimentos, chamando a estrutura de cara e pouco eficiente. Disse que a empresa não avança em licitações e acaba funcionando mais como custo do que solução.
Já Marcelo Achutti voltou a bater na tecla da “indústria da multa”. Defendeu que radares devem educar, não arrecadar — e citou pontos onde, segundo ele, os acidentes não diminuíram.
E como se não bastasse, a inauguração de uma pracinha no bairro Pioneiros virou palco de um puxão de orelha público. O ex-tudo Leonel Pavan não economizou nas palavras ao cobrar o deputado Carlos Humberto e a prefeita Juliana Pavan. Comparou eventos, criticou mobilização e ainda alfinetou a gestão sobre cargos e articulação política.
O cenário hoje é claro: o governo segue se reorganizando, mas ainda sem estabilidade.
O episódio expõe um problema maior: a falta de coesão dentro do governo. Hoje, o grupo parece formado mais por conveniência do que por convicção. Falta alinhamento, sobra vaidade. E, no meio disso tudo, o barco segue — com poucos remando e muitos apenas esperando o melhor momento para pular.


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