A política de Balneário Camboriú segue em ebulição e com direito à já conhecida “barca”. A mudança no comando municipal do PL, agora sob a presidência do deputado estadual Carlos Humberto, começou a produzir seus primeiros efeitos práticos. Os vereadores Guilherme Cardoso e Victor Forte bateram em retirada rumo ao Republicanos, passando a integrar o mesmo grupo do ex-prefeito Fabrício Oliveira. O PL saiu do bloco de oposição na cidade. E o Republicanos se transforma em um partido de oposição na cidade.
E não foi uma saída discreta. Muito pelo contrário. Victor Forte e Guilherme Cardoso um deles deve ser candidato a deputado estadual, o que naturalmente eleva a temperatura do cenário político local e antecipa um embate que promete ser intenso.
Diante disso, surge a pergunta inevitável: onde entra o ex-prefeito Edson Piriquito nesse novo tabuleiro? Com a chegada do grupo de Fabrício e uma pré-candidatura já consolidada dentro do partido, o espaço político diminui e o ambiente, claro, esquenta. O Republicanos passa a ser um campo competitivo e, ao que tudo indica, pouco confortável para quem já ocupava espaço por lá.
Nos bastidores, o jogo é ainda mais estratégico. O governo municipal trabalha para fomentar candidaturas a deputado federal, numa tentativa clara de diluir a força eleitoral de Fabrício Oliveira dentro da cidade. Já a oposição adota a mesma lógica, incentivando candidaturas a deputado estadual para reduzir o peso político de Carlos Humberto em seu próprio reduto.
O resultado? Uma guerra de estratégias que pode acabar prejudicando o principal: a representatividade da cidade. Isso porque Balneário Camboriú corre o risco de fragmentar votos justamente entre suas principais lideranças. No fim das contas, todos jogam, mas a cidade pode sair perdendo.
Enquanto isso, na Câmara de Vereadores, mais uma reforma…. Aliás, é difícil lembrar de outro espaço público que tenha passado por tantas intervenções em tão pouco tempo. Com o volume de recursos já investidos, não seria exagero dizer que daria para construir, no mínimo, três novas sedes legislativas. Em tempos em que se fala tanto em eficiência e funcionalidade, a “casa do povo” parece cada vez mais distante da realidade do próprio povo.
Outro ponto que chama atenção é a nova licitação do transporte coletivo. O custo projetado é de R$ 58 milhões para três anos — mais de R$ 19 milhões por ano. Um salto considerável se comparado aos cerca de R$ 15 milhões anuais registrados em 2024 e 2025. A conta é simples: vai custar mais. A dúvida que fica é outra — vai funcionar melhor?
O debate ganha ainda mais força diante das críticas recorrentes ao modelo atual. O sistema gratuito, embora positivo no papel, enfrenta questionamentos sobre sua efetividade. Há quem diga que boa parte dos usuários são turistas, enquanto o morador segue lidando com dificuldades no dia a dia. Porque, no fim, não basta ser gratuito, precisa ser eficiente.
Na educação, outro investimento levanta questionamentos. Foram mais de R$ 6 milhões destinados à compra de 12 módulos de salas de aula. Estruturas pensadas como solução rápida, mas que, após as últimas chuvas, mostraram fragilidades preocupantes. As imagens de salas cercadas pela água não passaram despercebidas.
Fica a reflexão: esse modelo atende à realidade de uma cidade como Balneário Camboriú? Ou seria mais inteligente investir em estruturas permanentes, mais seguras e duráveis? Porque improviso, quando vira regra, costuma sair caro e nem sempre resolve.
Para fechar, um tema sério e que não pode ser tratado com normalidade: mais um caso de assédio moral dentro da Prefeitura de Camboriú. E não é um episódio isolado. Situações assim exigem postura firme. Assediadores não podem ocupar cargos de chefia no serviço público.
Se nada for feito, a mensagem que fica é clara: conivência. Em tempos atuais, isso é inadmissível. Ou o Executivo dá exemplo, com medidas concretas, inclusive exonerações quando necessário ou abre espaço para a banalização. E quando o respeito deixa de ser regra, a gestão vira desordem.


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