O clima dentro da direita brasileira voltou a esquentar, e dessa vez, com reflexos diretos em Santa Catarina. O deputado federal Nikolas Ferreira entrou em rota de colisão com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro após trocar farpas com o vereador Jair Renan Bolsonaro. Em publicação na rede X, Nikolas não economizou nas palavras e chamou o filho mais novo do ex-presidente de “toupeira cega”, elevando o tom de uma disputa que já vinha se desenhando nos bastidores.
Diante do desgaste público, o senador Flávio Bolsonaro tentou colocar panos quentes, pedindo pacificação dentro da base. O movimento, no entanto, evidencia algo maior: a disputa por protagonismo dentro do próprio campo conservador.
Como se não bastasse, o cenário ganhou mais combustível com a entrada do humorista Danilo Gentili, que disparou críticas pesadas contra Carlos Bolsonaro. Em tom ácido, Gentili questionou a movimentação política em Santa Catarina, sugerindo oportunismo eleitoral e ampliando o desgaste em torno de uma possível candidatura no estado.
Nos bastidores catarinenses, a rejeição ao nome de Carlos cresce e já alimenta especulações sobre mudanças de estratégia: sair da disputa ao Senado e buscar uma vaga como deputado federal, enquanto o irmão ajustaria seus próprios planos eleitorais. Nada confirmado, mas o nível de “fritura” é visível.
Enquanto isso, em Balneário Camboriú, o debate real é aquele que impacta diretamente a vida da população, segue em segundo plano. O Plano Diretor, que deve ser votado ainda este ano, movimenta intensamente os bastidores. Nomeações, articulações e muito lobby giram em torno de um ponto central: o altíssimo valor imobiliário da cidade.
A discussão sobre aumento de gabarito e potencial construtivo envolve cifras milionárias. Há áreas tratadas como verdadeiro “ouro branco”. E, como em toda corrida por riqueza rápida, o risco de exploração sem limites é real, lembrando episódios históricos como Serra Pelada, onde a busca desenfreada por lucro deixou um rastro de degradação.
Curiosamente, argumentos que circulam entre lobistas nem sempre fazem sentido prático. A ideia de que muitos imóveis ficam vazios boa parte do ano ignora uma realidade simples: ninguém sustenta custos altos indefinidamente sem retorno. Em algum momento, a ocupação cresce e com ela, os problemas urbanos. Já sentimos impactos de uma crise hídrica e reflexos de um trânsito caótico.
A tensão que vêm crescendo envolve o empresário ligado ao Shopping Balneário Camboriú e o vereador Marcelo Achutti. Após ações judiciais e questionamentos no Conselho de Ética, a resposta política veio em forma de articulação para abertura de uma CPI que investigue medidas mitigatórias da ampliação do empreendimento.
Na prática, CPIs municipais muitas vezes servem mais como instrumento político do que como ferramenta efetiva de investigação. Ainda assim, indicam o nível de desgaste e o jogo de forças em curso.

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