Começou o período de campanha eleitoral. E, junto com ele, preparem a paciência: vem aí a poluição visual, uma quantidade enorme de publicações nas redes sociais, santinhos, vídeos, promessas e candidatos fazendo de tudo ou quase tudo, em busca do seu voto.
E não estamos falando de uma brincadeira barata. É um processo eleitoral bilionário, bancado, em grande parte, pelo dinheiro público. Somente o Fundo Eleitoral vai distribuir quase R$ 5 bilhões aos partidos. Só esse número já deveria provocar uma boa discussão na sociedade. Mas tem algo que, na minha opinião, chama ainda mais atenção: a forma como esse dinheiro é distribuído.
São os dirigentes partidários que definem para quais candidatos vão os recursos e em quais valores. O PL aparece com a maior fatia, em torno de R$ 881 milhões. Na sequência vem o PT, com aproximadamente R$ 615 milhões, e o União Brasil, com cerca de R$ 526 milhões. Juntos, os três partidos concentram aproximadamente 40% do fundo.
E sabe o que mais chama a atenção? A insatisfação da população com o uso de bilhões de reais do dinheiro público para financiar campanhas. Mas, quando o assunto é o Fundo Eleitoral, partidos que vivem trocando acusações e protagonizando brigas políticas muitas vezes acabam encontrando um ponto de convergência: o dinheiro.
E tem mais.
As casas legislativas também estão se adequando ao período eleitoral. Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, as sessões seguem um calendário especial durante o período de campanha. Na prática, o ritmo dos trabalhos legislativos fica bastante reduzido.
Ora, se o calendário de trabalho é alterado por causa das eleições, fica uma pergunta: e o salário dos deputados também deveria ser reduzido proporcionalmente?
Não vejo muita manifestação contrária a essa prática.
Em Balneário Camboriú, a Câmara de Vereadores também alterou o funcionamento legislativo durante o período eleitoral. As sessões passaram a ocorrer dentro de um horário especial, das 7h às 13h.
E existe ainda uma questão que considero muito mais relacionada à ética e à moralidade: a licença dos vereadores que são candidatos.
Na minha visão, quem está disputando outro cargo deveria avaliar seriamente a possibilidade de se afastar temporariamente da função que exerce, principalmente quando a campanha exige dedicação praticamente integral.
Por isso, sou obrigado a mencionar o vereador Eduardo Zanatta, do PT. Ele se licenciou do cargo por 120 dias para fazer campanha, abrindo espaço para o suplente Aristo Pereira. Não estou dizendo que todos são obrigados a fazer o mesmo, mas, pelo menos, o exemplo está dado.
Na Câmara de Balneário Camboriú, temos o presidente do Legislativo, Marquinho, e a vereadora Cissa Müller como candidatos a deputado estadual. E temos ainda os vereadores Cristiano Santos e Jair Renan Bolsonaro disputando uma vaga de deputado federal.
Falando em Cristiano Santos, a situação dele politicamente parece, no mínimo, curiosa. Saiu candidato a deputado federal e, pelo que se observa, não recebeu o mesmo apoio do partido na esfera municipal. Enquanto isso, o governo municipal está apoiando o deputado Júlio Garcia, também do PSD.
Na política, apoio é uma palavra que pode mudar de significado muito rapidamente.
Quem decidiu não disputar a eleição foi o vereador Marcelo Achutti. Ele alegou que não iria para a disputa sem estrutura suficiente para enfrentar uma campanha. E afirmou que continuará na Câmara de Vereadores, cobrando questões importantes para a cidade, entre elas o Hospital Ruth Cardoso e a segurança pública.
Já quem mudou o rumo praticamente aos 45 do segundo tempo foi o ex-vereador Lucas Gotardo. Era pré-candidato a deputado estadual e acabou entrando na disputa para deputado federal.
Dizem que houve interferência na decisão de um candidato a deputado da cidade.
Será?
O fato é que a eleição começou oficialmente e, daqui para frente, veremos muita movimentação, alianças, mudanças de estratégia, apoios que aparecem e outros que desaparecem.
E isso é só o começo.
Na próxima coluna, quero falar um pouco mais sobre as campanhas da nossa região. Aí a conversa começa a ficar ainda mais interessante.
Até a próxima!

GIPHY App Key not set. Please check settings