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Dois municípios, dois ritmos: enquanto BC avança, Camboriú tropeça nas dificuldades

A indignação do prefeito Leonel Pavan diante do vandalismo registrado na Escola de Campo Manoel Jason Pereira, na localidade do Braço, no interior de Camboriú, é legítima — e necessária. O ataque ao patrimônio público, ainda mais em uma escola, não pode ser tratado como algo corriqueiro. Ao pedir o apoio da população para denunciar esse tipo de crime, Pavan acerta. Esse tipo de situação exige reação imediata, cobrança e vigilância coletiva.

No entanto, ao chamar a atenção dos mais de 200 cargos da prefeitura, fica a pergunta inevitável: será que falta mesmo alerta ou falta estrutura? A verdade é que a indignação do prefeito escancara um problema maior e antigo: a fragilidade da segurança pública em Camboriú. O município não conta com Guarda Municipal e o efetivo da Polícia Militar, por mais empenhado que seja, não consegue dar conta de uma cidade com 212,3 km² de extensão territorial.

Camboriú hoje ocupa a 13ª posição em população em Santa Catarina, com estimativa de 117.324 habitantes ao final de 2025. Não é mais uma cidade pequena. As forças políticas — vereadores, prefeito e deputados com base eleitoral na região — precisam cobrar do Governo do Estado um efetivo compatível com esse tamanho e com essa realidade. Vandalismo, furtos e crimes contra o patrimônio são sintomas de um território onde o Estado não consegue estar presente de forma suficiente.

Na educação, infelizmente, o roteiro de problemas se repete. Mais um ano começa com turbulências na rede municipal de Camboriú. Em 2026, o prejuízo veio logo de início, com o adiamento das aulas. O ano letivo estava previsto para começar na segunda-feira, dia 9, mas uma decisão judicial, após ação do Ministério Público de Santa Catarina, suspendeu temporariamente três processos seletivos para contratação de professores ACTs, sob o argumento de que as admissões deveriam ocorrer via concurso público.

O resultado foi o adiamento do início das aulas para o dia 19, afetando diretamente cerca de 19 mil alunos matriculados na rede municipal. Posteriormente, a liminar que suspendia as contratações temporárias foi revogada, mas o dano já estava feito. Para a comunidade escolar — alunos, pais e professores — fica mais uma sensação de improviso e insegurança administrativa.

Enquanto isso, em Balneário Camboriú as aulas começaram na data prevista, acompanhadas de um verdadeiro mutirão de limpeza e manutenção nas unidades escolares. Entre sábado (7) e domingo (8), servidores de diversos setores e na maioria comissionados e trabalhadores da empresa vencedora da licitação atuaram em serviços como manutenção de telhados e ajustes elétricos. Alguns reparos, inclusive, avançaram pela madrugada de segunda-feira (9), sob a fiscalização direta do vice-prefeito Nilson Probst.

As reformas seguem, com contratos prevendo a conclusão das obras até o próximo domingo (15). Onde não foi possível finalizar durante o recesso escolar, os trabalhos continuam aos fins de semana e serão intensificados durante o feriado de Carnaval. Em unidades como o CEM Dona Lili e o CEM Tomaz Francisco Garcia, intervenções pontuais seguem sem comprometer o andamento das aulas, com áreas isoladas e planejamento.

Esse início de ano letivo também marca um momento de transição na Secretaria de Educação de Balneário Camboriú. Leandro Índio, que responde interinamente pela pasta, está nos últimos dias no comando. O nome que circula nos bastidores para assumir a secretaria é o da educadora Zélia Schlindwein Zanella, professora aposentada com 33 anos de atuação na rede pública e ex-diretora do CEM Presidente Médici e do Centro Educacional Municipal Ariribá. Experiência não lhe falta.

E, fechando o panorama regional, Balneário Camboriú se prepara para um Carnaval de grandes expectativas. O retorno dos shows nacionais no Pontal Norte marca uma nova fase dos eventos na orla, agora com melhor logística e vazão de público. O Viva Folia BC 2026 traz como grande destaque o AgroPlay Verão Festival, com apresentações gratuitas de nomes fortes do sertanejo como Ana Castela, Zé Felipe, Léo & Raphael, Duda Bertelli, Júlia & Rafaela, entre outros.

Detalhe importante: sem custo para a prefeitura, uma conquista significativa em tempos de cobranças por responsabilidade fiscal. A programação ainda mantém blocos, charangas nos bairros e palcos com artistas locais, espalhados pela Praia do Estaleiro, Praça Almirante Tamandaré e Praça do Pescador, no Bairro da Barra.

No fim das contas, o contraste entre Camboriú e Balneário Camboriú é evidente. Segurança, educação e planejamento seguem como desafios centrais. Indignar-se é o primeiro passo. Resolver, com estrutura, cobrança política e gestão eficiente, é o que a população espera — e merece.

Written by Redação

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