Se tem uma coisa que não falha na política local é grupo de WhatsApp. É dali que, muitas vezes, saem as melhores ou piores pautas. E na manhã desta terça-feira, o clima esquentou de vez.
O bate-boca foi protagonizado pelo vereador Marcelo Achutti e por Renato Cruz. A discussão, que começou no ambiente virtual, rapidamente desceu para um nível que lembra recreio de escola: “te pego lá fora”. Resultado? Achutti registrou boletim de ocorrência.
Renato Cruz, vale lembrar, esteve no jogo político recente: foi pré-candidato em Camboriú e tentou se viabilizar como vice na chapa do candidato derrotado Peeter Grando (PL), pelo MDB de Balneário Camboriú. Acabou ficando pelo caminho após perder a disputa interna para Nilson Probst, hoje vice da prefeita Juliana Pavan.
Nos bastidores, um dos estopins da confusão pode ter sido o posicionamento mais duro de Achutti em relação ao empreendimento do Shopping Balneário Camboriú, especialmente sobre as medidas mitigatórias. Tema sensível, que mexe com interesses grandes.
Só que tudo começou quando o pai de Renato, o ex-vereador Arlindo Cruz, hoje no PL, compartilhou uma informação que caiu como gasolina no fogo: Sobre a reunião do MDB estadual com o governador Jorginho Mello, aonde boa parte do partido declarou apoio ao atual governador, deixando de lado uma eventual composição com João Rodrigues.
Aliás, o movimento de Jorginho é observado com lupa: há quem diga que o governador vem esvaziando tanto o PP ligado a Esperidião Amin quanto o MDB de Carlos Chiodini. O xadrez político estadual já está em curso e muita coisa deve acontecer até as convenções partidárias.
Plano Diretor: o verdadeiro campo de batalha
Se o WhatsApp pegou fogo, a Câmara virou caldeirão. A discussão sobre o Plano Diretor e a lei do microzoneamento transformou a audiência pública de segunda-feira em um verdadeiro tumulto.
A presença massiva de interessados é muitos ligados ao setor da construção civil, deixou evidente que o tema mexe com cifras pesadas. Não é exagero: algumas alterações podem representar impactos de milhões, até bilhões de reais.
Foram apresentadas 53 emendas, muitas delas de última hora, alterando profundamente o microzoneamento. E nesse cenário surgiu um nome que virou alvo: o vereador Naifer Neri, do Novo.
Com críticas duras, Naifer não economizou palavras ao sugerir que a Câmara não pode virar “balcão de negócios”. A fala caiu bem para quem assistia, mas gerou forte reação entre os colegas. Resultado: virou o “malhado da vez” ou, como diriam nos bastidores, o Judas da sessão.
Naifer cobra mais transparência e, principalmente, tempo para debate. O questionamento é direto: como um tema que levou tanto tempo para tramitar agora precisa ser votado às pressas, sem discussão aprofundada?
Interesses cruzados e cidade no limite
Nos corredores, cada vereador puxa a brasa para o seu… bairro. A liberação de gabarito em determinadas regiões pode, na prática, triplicar o número de habitações na cidade.
A pergunta que fica é simples e preocupante: Balneário Camboriú comporta isso?
Hoje, o município já enfrenta gargalos na mobilidade e sinais de alerta quanto ao abastecimento de água. Imagine esse cenário com uma ocupação triplicada.
De um lado, há quem defenda a ampliação do potencial construtivo, apostando na valorização imobiliária e valorização dos bairros. Do outro, quem prefere manter restrições, criando uma espécie de “reserva de mercado”.
No fim das contas, o jogo é pesado. E como se diz nos bastidores da política: interesse ali não falta, pureza, muito menos.
A promessa é de votação nesta quarta-feira. E, pelo clima, vem mais capítulo quente por aí.

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