in ,

Balneário Camboriú precisa de soluções, não de políticas do “quanto pior, melhor”

Balneário Camboriú vive um momento delicado, não pela gravidade dos problemas em si, mas pela forma como eles são instrumentalizados. É urgente repensar a postura de setores da sociedade e da política que, em vez de colaborar com soluções, transformam questões reais em palanques eleitorais ou armas contra adversários. A cidade não pode continuar sendo refém da lógica do “quanto pior, melhor”.

Um exemplo recente e emblemático foi a crise na Estação de Tratamento de Esgoto da EMASA no primeiro trimestre de 2024. Entre janeiro e fevereiro, a unidade operou com eficiência de apenas 1% e 19%, respectivamente, comprometendo diretamente a qualidade da água da Praia Central, que, naquele período, teve a maioria dos seus pontos considerados impróprios para banho. A situação gerou alarde nacional, com cobertura da imprensa, debates na Alesc e até a instalação de uma CPI.

Mas os fatos se complicam quando se olha para o desfecho: em março, após obras na lagoa de aeração, a eficiência subiu para 57%; em junho, já atingia 60%. Apesar da recuperação técnica e operacional, a imagem da cidade ficou manchada. Até hoje, Balneário Camboriú enfrenta o estigma de “praia suja”, mesmo com a normalização dos indicadores. Ninguém foi punido na CPI, mas a cidade pagou um preço alto: reputação abalada, impacto no turismo e desgaste institucional desnecessário.

Hoje, vemos um padrão semelhante se repetir, agora na segurança pública.

É inegável que existem desafios pontuais. Assim como em qualquer metrópole em crescimento, há episódios de violência, muitos deles ligados diretamente ao uso e tráfico de drogas, um problema social complexo que exige respostas multidisciplinares. No entanto, há quem insista em retratar Balneário Camboriú como uma cidade insegura, ignorando dados concretos que mostram o contrário.

Afinal, os números falam por si:

  • Balneário Camboriú liderou o Ranking Connected Smart Cities como a cidade mais segura do Brasil;
  • Em outubro de 2024, comparado a setembro, houve queda de 10% em homicídios, 10% em roubos e 22% em furtos;
  • Houve aumento de 33% no cumprimento de mandados de prisão e 15% mais prisões por tráfico de drogas.

Esses avanços são fruto do trabalho contínuo das forças de segurança, que merecem reconhecimento, não distorção.

Diante das críticas, a prefeita Juliana Pavan (PSD) anunciou mudanças na estrutura de segurança, nomeando o Coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, ex-Comandante-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, como novo secretário de Segurança e Ordem Pública. A escolha traz peso simbólico e técnico, mas é crucial que não se limite a “apostar na grife”. A segurança pública exige mais do que nomes de prestígio: exige integração entre segurança, saúde, assistência social e Ministério Público.

A raiz de muitos crimes em Balneário Camboriú está na epidemia das drogas. A maioria das pessoas em situação de rua enfrenta dependência química severa. Combater isso exige políticas de acolhimento, tratamento e reinserção, não apenas repressão policial.

Apontar problemas é fácil. Resolver, isso sim, é difícil. E é isso que a cidade merece: ações concretas, diálogo institucional e responsabilidade coletiva, não o oportunismo político que prefere o caos à construção.

Balneário Camboriú é uma cidade que cresce, atrai turistas, gera empregos e oferece qualidade de vida. Não podemos permitir que interesses menores coloquem tudo isso em risco. Chega de “quanto pior, melhor”. A cidade merece quanto melhor, melhor.

Written by Redação

Comments

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

GIPHY App Key not set. Please check settings

Loading…

0