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Só treinador não ganha jogo

Repercutiu bastante a entrevista da prefeita Juliana Pavan na Natureza FM, em conversa com este colunista. Foram mais de uma hora e meia de entrevista, sem pauta pré-definida e abordando praticamente todos os assuntos da administração municipal e da política local. Em tempos em que qualquer frase vira corte nas redes sociais, não é qualquer político que encara esse tipo de exposição.

Com seu estilo direto e temperamento forte, Juliana não fugiu de temas delicados e ainda aproveitou para disparar críticas à oposição. O problema é que a resposta veio rápida e organizada.

Os vereadores de oposição utilizaram trechos da entrevista em suas redes sociais, em uma estratégia coordenada de publicações. O auge da reação foi uma foto conjunta dos vereadores Guilherme Cardoso, Victor Forte, Mazinho Miranda e Naifer Neri, segurando um guardanapo com uma mensagem provocativa, em referência à fala da prefeita de que a oposição seria “burra” e deveria usar um guardanapo para anotar os investimentos em segurança pública. Na foto, só faltou o ex-prefeito Fabrício Oliveira, apontado por muitos como o principal articulador desse grupo político.

Independentemente de quem tenha razão na discussão, um fato chama atenção: a oposição demonstrou organização, unidade e capacidade de comunicação. Fez o que se espera de quem está fora do governo, aproveitando um episódio político para ampliar o debate e ganhar espaço na opinião pública.

Por outro lado, o governo parece enfrentar um desafio interno. Juliana Pavan demonstra disposição, energia e um perfil inquieto, muito semelhante ao do seu pai. Mas há tempos é perceptível uma certa desorganização na base governista.

Na Câmara de Vereadores, enquanto a oposição ganha protagonismo com discursos e críticas contundentes, os vereadores da situação têm adotado uma postura discreta, com poucas manifestações públicas de defesa do governo. Fica a pergunta: falta alinhamento, convicção ou apenas estratégia?

Essa sensação também chega aos cargos comissionados. Muitos parecem atuar em ritmo de espera, acompanhando os acontecimentos sem contribuir de forma efetiva na defesa e construção política do governo. Já ouvi o argumento de que determinados cargos são técnicos. Vale lembrar que cargo comissionado é, por essência, político. Técnico é importante, mas, para usar uma comparação esportiva, técnico mesmo está nos clubes de futebol.

Há algum tempo escrevi que algumas figuras tradicionais da política local, que se perpetuam em diferentes governos, talvez já tenham cumprido seu papel e precisem abrir espaço para uma renovação. Não se trata de uma questão pessoal, mas de oxigenação administrativa e política. Sem renovação, o desgaste pode custar caro.

E o calendário eleitoral está aí para servir de termômetro. O resultado das urnas certamente será analisado pelo governo e poderá influenciar futuras decisões administrativas. Não seria surpresa se, após o processo eleitoral, houvesse ajustes e mudanças na equipe da administração municipal.

No fim das contas, governar é um trabalho coletivo. Não basta que uma secretaria apresente bons resultados se outras enfrentam dificuldades. O cidadão avalia o conjunto da obra.

No futebol e na política existe uma lição que raramente falha: um bom treinador faz diferença, mas não entra em campo. Para vencer campeonatos, é preciso um time comprometido, organizado e disposto a jogar junto. Afinal, só treinador não ganha jogo.

Written by Redação

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